domingo, 26 de setembro de 2010

Marina e o Bispo

No sábado passado, a ‘Folha’ publicou reportagem com Dom Moacyr Grechi, 74 anos, arcebispo de Porto Velho e mentor político da senadora Marina Silva. Para ele, falta nela o perfil de presidente. Ela é muito frágil para aguentar. Amigos desde 1974, Dom Moacyr disse que Marina, quando ela dirigiu, o Ministério do Meio Ambiente " vivia em uma angústia constante.” E

Marina contesta o seu mentor.Eis o texto dedicado:


“Ao amado dom Moacyr”:“Li na Folha (22/5) sua afirmação de que sou frágil e não tenho perfil para a Presidência da República. No início, fiquei triste. Já tinha ouvido algo parecido do senhor, de forma carinhosa, mas ler assim como está no jornal tem outro peso. Refletindo mais, reconciliei-me com sua mensagem.Quando ando por aí, muitos me dizem que minha luta é de Davi contra Golias. Então vamos conversar sobre passagens bíblicas, que conhecemos bem. Elas se completam e iluminam o que quero dizer. Quando Saul terminava seu reinado, Deus mandou o sacerdote e profeta Samuel ungir novo rei entre os muitos filhos de Jessé. O profeta procurou entre os mais belos, os mais fortes e os mais habilidosos, mas Deus descartou todos. Jessé lembrou então de Davi, o seu filho mais novo, que pastoreava ovelhas. O profeta o achou muito fraquinho, meio esquisito. Mas Deus ordenou que o ungisse rei dos israelitas, porque olhava para o seu coração, e não para a sua aparência. Foi assim que Davi foi escolhido para ser rei. E logo provou seu valor ao enfrentar Golias, o gigante filisteu, guerreiro acostumado a usar escudo, capacete e armadura e a manejar a espada. O jovem Davi, aparentemente fraco e sem muito preparo para aquele tipo de duelo, ganhou a luta porque não tentou usar a armadura de Saul, que lhe fora ofertada e nem lhe cabia direito. Usou sua própria arma, a funda, e ali colocou a pedra para jogá-la no lugar certo, na testa do gigante. Assim como o senhor, dom Moacyr, Samuel era homem corajoso, temente a Deus, preparado para o sacerdócio desde um ano de idade. O senhor é muito importante na minha vida, da mesma forma que Samuel foi na vida de Davi. E está me vendo com olhos cuidadosos, preocupados com circunstâncias que talvez me causem sofrimento. Mas, como sabe por experiência própria, não podemos ficar presos às circunstâncias.Quando o senhor chegou ao Acre, aos 36, enfrentou os poderosos e ficou do lado de Chico Mendes e de todos os que eram aparentemente fracos e despreparados para enfrentar os gigantes das motosserras. Como me ensinou, não me intimido com as circunstâncias e procuro me encontrar com o que está no coração de homens e mulheres sinceros, que, como o senhor, buscam fazer o melhor, apesar das dificuldades e riscos.Aprendi com o senhor boa parte dos valores que me guiam, entre eles não vergar a coluna às pressões dos interesses espúrios. Por favor, meu amado irmão, não me diga agora que esses valores não servem para governar o Brasil e me fragilizam. Tranquilize-se: eles são e continuarão sendo a minha força e a minha funda diante dos desafios, qualquer que seja o tamanho deles”.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sóis

Resta confessar:
Eu, só e com um desejo no peito que invade
Não suportei, falei...
Ah, insensato coração que pulsa incertezas noite à dentro
Tenho sede (disse eu)
A surpresa se viu alegre em seu olhar

Janela aberta,
Segundo piso,
Rosa em você,
Vários Sóis...

sábado, 17 de julho de 2010

Dez é Seis: Julho

Erguei vossos escudos, que são familiares,
jogai aos ares os nossos descobertos, ou encobertos, encantos
eles falam do medo,
do sentir – que se viu despido no porvir,
do nosso prenunciado e antagônico encontro.

São achados que não devíamos falar aos outros
cartas de um jogo que já se viu no empate do olhar
onde o azar pede desculpas e se entrega ao acaso.
Mar que não sabe remar,
tampouco guiar o farol da lua vazia e solta nas noites do não te encontrar

Cabe a Chronos, Deus anacrônico do tempo, esperar...
como se o mesmo o soubesse

Evitar teu sussurro evidencia, ainda mais, os suspiros dos nós acoplados aos teus “ais”
me faz calouro do teu imenso desejo , que digo nosso, que digo amar

Soubessem os degraus das escadas do teu refugio o quanto eu e meu ciúme hesitaram em fugir.
Sobrou pra mim o amargo deleite da noite
o teclar infindo que o sono insistiu em levar

Sonhei contigo, acordei esvaído...

Teus olhos distantes faziam-me ver o quão te quero e não te quero longe

Vem, vem, vem

Adeus!!!!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Viva Tunico Zelador



São duas da manhã, atravesso a Pça Tiradentes e aquelas 2 badaladas me remetem a um vazio, vazio de Tunico que ali Jazia. Ah, nobre Homem que do Alto da Cruz desceu para nos dar o sabor, o som, o tom do Tunico Zelador. Tunico que zelava a Praça, Tunico Gentileza Urbana, premiado, “Tunico da latinha, do baldinho, sabãozinho, com paninho, vai enxugando sem parar Paquelê, Paquelô é Tunico Zeladô...,” Salvador. Tunico para sempre, Tunico Jhonnes, guardado aqui e acolá no nosso coração. Tunico que de pureza amparada em poesia fez Ouro Preto cantar, dançar, te aplaudir... Tunico que – famoso – escolheu o dia 10 de Maio, Dia do Guia de Turismo para se despedir, e assim, se confirmar como mais um de nossos cartões postais, o nosso receptivo. Tunico do CEO do Padre Faria, da meiguice, do andar requebrado, da amiga Vilma que demonstrou amor até o último minuto. Tunico de Ouro Preto, Tunico da Casa de Gonzaga, o nosso Paquelê, Paquelô, o nosso Tuniquinho Jhonnes, o nosso Punk da Periferia, Decanse em Paz!!!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ninica


Ninica

(Chiquinho de Assis – citação de domínio público)


Ô Ninica, ô Ninica

Ô Ninica, “Filha de Maria”

Menina que sobe, que desce, que fala cantando

Que roda a cidade de um lado pro outro

Vê quem ta chegando

Veio visitar

Senhora que é roca da fala

Mas que traz segredos

Todos escondidos por entre seus dedos

Tão soltos na flauta querendo cantar:

Passarinho na gaiola fez um buraquinho

Voou, voou, voou, voou

E a Ninica que gostava tanto do bichinho

Chorou, chorou, chorou, chorou

Sabiá fugiu pro terreiro

Foi cantar lá no abacateiro
E a Ninica vive a chamar

Vem cá sabiá, vem cá


A Ninica diz soluçando

Sabiá estou te esperando
Sabiá responde de lá

Não chores que eu vou voltar...

Ô Ninica, ô Ninica

Ô Ninica, “Filha de Maria”



quarta-feira, 9 de abril de 2008

Prouni: Balança Educacional Favorável


Chiquinho de Assis
Recentemente, o Democratas, antigo PFL, e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino bateram às portas do Supremo Tribunal Federal, questionando a inconstitucionalidade dos atos que criaram o Prouni. Bem, aqui cabe uma reflexão sobre este assunto que há tempos vem sendo palco de polêmicas. Creio eu que, em grande parte, tais polêmicas são protagonizadas por uma parcela da sociedade de maior poder aquisitivo, embasada por questões que pouco observam os avanços de uma legitimidade educacional no país. O Prouni, até hoje, atendeu mais de 300 mil estudantes. E milhares deles já estão pré-selecionados para a próxima rodada de matrículas.
Se a questão sustentada era com relação à legalidade de ações afirmativas baseadas em critérios de renda e de raça para o acesso ao ensino superior, vamos lá:
1. Do ponto de vista da renda: para receber uma bolsa, por exemplo, uma integral, a renda per-capita familiar do candidato não pode ser superior a 1,5 salário mínimo. Ora, basta dar uma volta pelos lares brasileiros e constatar que a grande maioria das famílias não tem esses rendimentos. Do contrário, a renda de um casal com 2 filhos teria que estar em torno de R$ 2.490,00. Logo, são poucos os brasileiros que sabem...
2. Quanto à questão racial: há os que alegam que pensar o Brasil em torno das raças é um passo propício ao preconceito racial – como se não existisse... Mas podemos elucidar uma solução fácil e objetiva. Basta substituir a palavra raça pela palavra origem e vamos perceber que os estudantes de origem afro-descendente ou indígena são os que mais sofrem com o atual sistema educacional brasileiro. Pois não é difícil entender o vestibular, atual, como uma ferramenta que mede muito mais o investimento dos pais na educação de seus filhos do que realmente a propensão ao conhecimento funcional – objetivo do ensino superior.
Muitos, atualmente, entendem o Prouni como uma ferramenta assistencialista. Uma assistência que ampara o que chamam de “os analfabetos funcionais”, pessoas que sabem escrever o próprio nome, mas não dominam a leitura e as somas matemáticas básicas. Há ainda os que dizem que tal programa gera um crescimento do setor privado a nível superior. Há também os que afirmam que o grande investimento deveria ser na educação fundamental. Contudo, há que se concordar que, num passado recente e ainda hoje, se dois indivíduos, um de classe média e outro de classe baixa, disputassem a mesma vaga em uma universidade pública e fossem reprovados, o de classe média conseguiria investir em uma universidade privada e o de classe baixa voltaria para casa com os seus livros de mais de 15 anos em busca de vários e vários vestibulares, possivelmente, em vão.
Erros existem. Num país que investe apenas 4,2 % do seu PIB na educação não podemos esperar muito das redes públicas de ensino. No entanto, é louvável essa possibilidade de inclusão sócio-educacional objetivada pelo Prouni, pois “estar” em uma universidade dá a oportunidade a milhares de brasileiros de “ser”. E só quem “está” e passa a “ser” pode entender o novo mundo que se abre com mais justiça e dignidade num país de tanta discrepância social.
E assim, de forma iluminada e sábia o ministro-relator, Carlos Ayres de Britto, julgou improcedente o pedido e buscou parte de sua orientação na “Oração aos Moços”, de Rui Barbosa: “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. […] Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”. Ou seja, o que seria a igualdade numa situação de desigualdade?
Que o Prouni abra caminhos para investimentos em uma educação sociabilizante nas bases desse país.
Brasiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiill!!!!

terça-feira, 25 de março de 2008

Galo: 100 anos de paixão



Chiquinho de Assis

Como não falar das paixões. E se falando em futebol, a minha é inequívoca. Gaaaalo!!!! Nem há necessidade em se falar o nome completo, somos tão íntimos que o apelido soa mais sincero do que qualquer formalidade. Galo! É assim que nos conhecem. As pessoas até nos confundem e perguntam “você é galo?”.

Pois é, foi num dia 25 de Março de 1908 que um grupo de 22 garotos, com idade girando em torno dos 13 anos, se reuniram no coreto do Parque Municipal de Belo Horizonte para criarem o "Glorioso". Mas essa história é realmente interessante. 25 do 03 de 1908, 22 garotos com idade média de 13 anos. Esses números podem dizer muita coisa. Vejam só:

2+5=7, 1+9+0+8=18, 18–7=11. Ou seja, o time já estava em campo.

Mas quantos garotos foram? 22, coincidência demais, 2 times para os treinamentos.

Idade média? 13 anos. Ou seja, regidos pelo número do Galo, na jogatina do bicho. Rsrsrsrs.

Mas na nossa anedota numeral faltou o 3, referente ao mês. Tchan, tchan, tchan... Quantas letras têm a sigla do time? CAM, resolvido. Como disse o Dadá Maravilha: “Não venham com a problemática que eu tenho a solucionática”.

E a partir desta data a paixão aflorou, logo veio a fanática torcida. E para a massa, o título e as vitórias são um complemento do êxtase de se vestir a gloriosa camisa, de gritar Gaaaaaalô... Lá estamos, sempre fiéis, sempre em coro, 44 minutos do segundo tempo e ainda acreditamos. Acreditamos no que muitos simpatizantes duvidam. Mas, no nosso caso, temos por onde. Ora, o nosso hino diz “uma vez até morrer”, como a esperança é a última que morre, a nossa torcida transcende a esperança.

Poderia aqui fazer, como muitos fazem, e começar a projetar a simpatia pelo clube numa calculadora que não para de pensar em títulos, participação em torneios, etc. Mas não. Pouco importa se o Galo foi o primeiro Campeão Mineiro, se foi o primeiro Campeão dos Campeões Brasileiros em 1937, se em 1950 foi o primeiro time brasileiro a excursionar pela Europa e voltando como Campeão do Gelo, se tem o título de 1971. Não, pouco importa. Não importa se somos um dos times mais garfados do país, se já fomos vice-campeões invictos, etc. Ah, o que importa é a relação da massa com o galo, o que importa é ensinar ao mundo a fidelidade nos momentos difíceis e a classe invejável na redenção. O que importa é saber que a nossa história é de dor e alegria, um drama de “90 minutos mais acréscimos”, em equilíbrio com a tragédia perfeita, onde o “Mineirão” se torna o Teatro de Epidauro da Grécia, e nós, torcedores apaixonados, nos assemelhamos há um coro grego que julga os feitos dos nossos heróis em campo. Heróis que se antropomorfizam no mito: galo. Guerreiro, de canto profundo, de esporas afiadas e que sabe voar visando o ataque, a vitória sobre a vítima. E por falar em vítima, que não fique triste o rival, ele ainda chegará ao centenário – o bem não vive sem o mal. Mas não nos custa lembrá-lo que a diferença de idade, 100 a 87, já aponta uma vitória histórica cuja subtração é uma feliz coincidência em forma de galo – 13.

Parabéns Galo, 100 vezes aqui renovo a minha história com essa camisa, que como bem disse, o saudoso atleticano, Roberto Drummond “Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”.

Gaaaalô, fiu fiu fiu / Gaaaalô, fiu fiu fiu / Gaaaalô, fiu fiu fiu / Gaaaalô fiu fiu fiu / fiu...