quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sóis

Resta confessar:
Eu, só e com um desejo no peito que invade
Não suportei, falei...
Ah, insensato coração que pulsa incertezas noite à dentro
Tenho sede (disse eu)
A surpresa se viu alegre em seu olhar

Janela aberta,
Segundo piso,
Rosa em você,
Vários Sóis...

sábado, 17 de julho de 2010

Dez é Seis: Julho

Erguei vossos escudos, que são familiares,
jogai aos ares os nossos descobertos, ou encobertos, encantos
eles falam do medo,
do sentir – que se viu despido no porvir,
do nosso prenunciado e antagônico encontro.

São achados que não devíamos falar aos outros
cartas de um jogo que já se viu no empate do olhar
onde o azar pede desculpas e se entrega ao acaso.
Mar que não sabe remar,
tampouco guiar o farol da lua vazia e solta nas noites do não te encontrar

Cabe a Chronos, Deus anacrônico do tempo, esperar...
como se o mesmo o soubesse

Evitar teu sussurro evidencia, ainda mais, os suspiros dos nós acoplados aos teus “ais”
me faz calouro do teu imenso desejo , que digo nosso, que digo amar

Soubessem os degraus das escadas do teu refugio o quanto eu e meu ciúme hesitaram em fugir.
Sobrou pra mim o amargo deleite da noite
o teclar infindo que o sono insistiu em levar

Sonhei contigo, acordei esvaído...

Teus olhos distantes faziam-me ver o quão te quero e não te quero longe

Vem, vem, vem

Adeus!!!!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Viva Tunico Zelador



São duas da manhã, atravesso a Pça Tiradentes e aquelas 2 badaladas me remetem a um vazio, vazio de Tunico que ali Jazia. Ah, nobre Homem que do Alto da Cruz desceu para nos dar o sabor, o som, o tom do Tunico Zelador. Tunico que zelava a Praça, Tunico Gentileza Urbana, premiado, “Tunico da latinha, do baldinho, sabãozinho, com paninho, vai enxugando sem parar Paquelê, Paquelô é Tunico Zeladô...,” Salvador. Tunico para sempre, Tunico Jhonnes, guardado aqui e acolá no nosso coração. Tunico que de pureza amparada em poesia fez Ouro Preto cantar, dançar, te aplaudir... Tunico que – famoso – escolheu o dia 10 de Maio, Dia do Guia de Turismo para se despedir, e assim, se confirmar como mais um de nossos cartões postais, o nosso receptivo. Tunico do CEO do Padre Faria, da meiguice, do andar requebrado, da amiga Vilma que demonstrou amor até o último minuto. Tunico de Ouro Preto, Tunico da Casa de Gonzaga, o nosso Paquelê, Paquelô, o nosso Tuniquinho Jhonnes, o nosso Punk da Periferia, Decanse em Paz!!!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ninica


Ninica

(Chiquinho de Assis – citação de domínio público)


Ô Ninica, ô Ninica

Ô Ninica, “Filha de Maria”

Menina que sobe, que desce, que fala cantando

Que roda a cidade de um lado pro outro

Vê quem ta chegando

Veio visitar

Senhora que é roca da fala

Mas que traz segredos

Todos escondidos por entre seus dedos

Tão soltos na flauta querendo cantar:

Passarinho na gaiola fez um buraquinho

Voou, voou, voou, voou

E a Ninica que gostava tanto do bichinho

Chorou, chorou, chorou, chorou

Sabiá fugiu pro terreiro

Foi cantar lá no abacateiro
E a Ninica vive a chamar

Vem cá sabiá, vem cá


A Ninica diz soluçando

Sabiá estou te esperando
Sabiá responde de lá

Não chores que eu vou voltar...

Ô Ninica, ô Ninica

Ô Ninica, “Filha de Maria”



quarta-feira, 9 de abril de 2008

Prouni: Balança Educacional Favorável


Chiquinho de Assis
Recentemente, o Democratas, antigo PFL, e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino bateram às portas do Supremo Tribunal Federal, questionando a inconstitucionalidade dos atos que criaram o Prouni. Bem, aqui cabe uma reflexão sobre este assunto que há tempos vem sendo palco de polêmicas. Creio eu que, em grande parte, tais polêmicas são protagonizadas por uma parcela da sociedade de maior poder aquisitivo, embasada por questões que pouco observam os avanços de uma legitimidade educacional no país. O Prouni, até hoje, atendeu mais de 300 mil estudantes. E milhares deles já estão pré-selecionados para a próxima rodada de matrículas.
Se a questão sustentada era com relação à legalidade de ações afirmativas baseadas em critérios de renda e de raça para o acesso ao ensino superior, vamos lá:
1. Do ponto de vista da renda: para receber uma bolsa, por exemplo, uma integral, a renda per-capita familiar do candidato não pode ser superior a 1,5 salário mínimo. Ora, basta dar uma volta pelos lares brasileiros e constatar que a grande maioria das famílias não tem esses rendimentos. Do contrário, a renda de um casal com 2 filhos teria que estar em torno de R$ 2.490,00. Logo, são poucos os brasileiros que sabem...
2. Quanto à questão racial: há os que alegam que pensar o Brasil em torno das raças é um passo propício ao preconceito racial – como se não existisse... Mas podemos elucidar uma solução fácil e objetiva. Basta substituir a palavra raça pela palavra origem e vamos perceber que os estudantes de origem afro-descendente ou indígena são os que mais sofrem com o atual sistema educacional brasileiro. Pois não é difícil entender o vestibular, atual, como uma ferramenta que mede muito mais o investimento dos pais na educação de seus filhos do que realmente a propensão ao conhecimento funcional – objetivo do ensino superior.
Muitos, atualmente, entendem o Prouni como uma ferramenta assistencialista. Uma assistência que ampara o que chamam de “os analfabetos funcionais”, pessoas que sabem escrever o próprio nome, mas não dominam a leitura e as somas matemáticas básicas. Há ainda os que dizem que tal programa gera um crescimento do setor privado a nível superior. Há também os que afirmam que o grande investimento deveria ser na educação fundamental. Contudo, há que se concordar que, num passado recente e ainda hoje, se dois indivíduos, um de classe média e outro de classe baixa, disputassem a mesma vaga em uma universidade pública e fossem reprovados, o de classe média conseguiria investir em uma universidade privada e o de classe baixa voltaria para casa com os seus livros de mais de 15 anos em busca de vários e vários vestibulares, possivelmente, em vão.
Erros existem. Num país que investe apenas 4,2 % do seu PIB na educação não podemos esperar muito das redes públicas de ensino. No entanto, é louvável essa possibilidade de inclusão sócio-educacional objetivada pelo Prouni, pois “estar” em uma universidade dá a oportunidade a milhares de brasileiros de “ser”. E só quem “está” e passa a “ser” pode entender o novo mundo que se abre com mais justiça e dignidade num país de tanta discrepância social.
E assim, de forma iluminada e sábia o ministro-relator, Carlos Ayres de Britto, julgou improcedente o pedido e buscou parte de sua orientação na “Oração aos Moços”, de Rui Barbosa: “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. […] Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”. Ou seja, o que seria a igualdade numa situação de desigualdade?
Que o Prouni abra caminhos para investimentos em uma educação sociabilizante nas bases desse país.
Brasiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiill!!!!

terça-feira, 25 de março de 2008

Galo: 100 anos de paixão



Chiquinho de Assis

Como não falar das paixões. E se falando em futebol, a minha é inequívoca. Gaaaalo!!!! Nem há necessidade em se falar o nome completo, somos tão íntimos que o apelido soa mais sincero do que qualquer formalidade. Galo! É assim que nos conhecem. As pessoas até nos confundem e perguntam “você é galo?”.

Pois é, foi num dia 25 de Março de 1908 que um grupo de 22 garotos, com idade girando em torno dos 13 anos, se reuniram no coreto do Parque Municipal de Belo Horizonte para criarem o "Glorioso". Mas essa história é realmente interessante. 25 do 03 de 1908, 22 garotos com idade média de 13 anos. Esses números podem dizer muita coisa. Vejam só:

2+5=7, 1+9+0+8=18, 18–7=11. Ou seja, o time já estava em campo.

Mas quantos garotos foram? 22, coincidência demais, 2 times para os treinamentos.

Idade média? 13 anos. Ou seja, regidos pelo número do Galo, na jogatina do bicho. Rsrsrsrs.

Mas na nossa anedota numeral faltou o 3, referente ao mês. Tchan, tchan, tchan... Quantas letras têm a sigla do time? CAM, resolvido. Como disse o Dadá Maravilha: “Não venham com a problemática que eu tenho a solucionática”.

E a partir desta data a paixão aflorou, logo veio a fanática torcida. E para a massa, o título e as vitórias são um complemento do êxtase de se vestir a gloriosa camisa, de gritar Gaaaaaalô... Lá estamos, sempre fiéis, sempre em coro, 44 minutos do segundo tempo e ainda acreditamos. Acreditamos no que muitos simpatizantes duvidam. Mas, no nosso caso, temos por onde. Ora, o nosso hino diz “uma vez até morrer”, como a esperança é a última que morre, a nossa torcida transcende a esperança.

Poderia aqui fazer, como muitos fazem, e começar a projetar a simpatia pelo clube numa calculadora que não para de pensar em títulos, participação em torneios, etc. Mas não. Pouco importa se o Galo foi o primeiro Campeão Mineiro, se foi o primeiro Campeão dos Campeões Brasileiros em 1937, se em 1950 foi o primeiro time brasileiro a excursionar pela Europa e voltando como Campeão do Gelo, se tem o título de 1971. Não, pouco importa. Não importa se somos um dos times mais garfados do país, se já fomos vice-campeões invictos, etc. Ah, o que importa é a relação da massa com o galo, o que importa é ensinar ao mundo a fidelidade nos momentos difíceis e a classe invejável na redenção. O que importa é saber que a nossa história é de dor e alegria, um drama de “90 minutos mais acréscimos”, em equilíbrio com a tragédia perfeita, onde o “Mineirão” se torna o Teatro de Epidauro da Grécia, e nós, torcedores apaixonados, nos assemelhamos há um coro grego que julga os feitos dos nossos heróis em campo. Heróis que se antropomorfizam no mito: galo. Guerreiro, de canto profundo, de esporas afiadas e que sabe voar visando o ataque, a vitória sobre a vítima. E por falar em vítima, que não fique triste o rival, ele ainda chegará ao centenário – o bem não vive sem o mal. Mas não nos custa lembrá-lo que a diferença de idade, 100 a 87, já aponta uma vitória histórica cuja subtração é uma feliz coincidência em forma de galo – 13.

Parabéns Galo, 100 vezes aqui renovo a minha história com essa camisa, que como bem disse, o saudoso atleticano, Roberto Drummond “Se houver uma camisa branca e preta pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”.

Gaaaalô, fiu fiu fiu / Gaaaalô, fiu fiu fiu / Gaaaalô, fiu fiu fiu / Gaaaalô fiu fiu fiu / fiu...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Atenção: Trânsito, Pontes, Ruas, ...


*Foto: Chiquinho de Assis


“Lá vem o Brasil descendo a ladeira [...]”

Ah Ouro Preto, que tristeza...

Pois foi assim. A luta diária da D. Ivone – mulher do Antônio, filho do seu Zé Pobre, lá do São Cristóvão – como acabou? Numa parede da Rua das Flores, com o povo ali, vendo uma pobre senhora, mãe, vítima, agonizando em busca de socorro. Um socorro agonizante que Ouro Preto também pede, grita, chora, e além de tudo, tendo que conviver com essas acidentais desgraças pressagiadas há anos e anos. E mais uma vez a cidade se solidariza, chora, se comove, se indigna, mas e depois? Aberto o sinal, uns e outros com mais outros começam a correr, deslizar, bater e arrombar. Paredes, portas, janelas, trilhos, ruas, ladrilhos, passeios, ruas e escadinhas.

Dias contados? Que medo!!! Que Urucubaca!!!

Há poucos anos um recado foi dado, a capela-passo de Antônio Dias quase se foi na trombada de um ônibus. Como se fosse moda, o chafariz do Pilar por pouco não foi embora na carroceria de um caminhão, e olha que caminhões insistiram. Recentemente, numa mesma semana, três fatos deixaram a cidade preocupada. Na rua da Escadinha um Scort deslizou indo parar nas escadinhas, parte da rua destinada aos pedestres. Num outro dia um caminhão de alimentos desce, sem controle, pela Rua das Flores deixando vítimas, uma fatal. Ainda atordoados com tais acontecimentos, moradores da Rua do Jibu, como que num filme alienígena, puderam ver carros voando e adentrando parede pau-a-pique na calada da noite. Meu Deus, três avisos em sincronia com o que todos nós sabemos. E como dizem os antigos “o pior cego é aquele que não quer enxergar”. E por falar em enxergar, reflitamos...

A conturbada situação a que foram submetidos os moradores da região de Santa Rita, Chapada, Salto, Lavras Novas, e arredores da Estrada Real não serviu de aviso aos gestores do trânsito urbano do município. Por que? Ora, se as pontes seculares da Estrada Real foram interditadas ao trânsito de ônibus e caminhões por risco de desabamento, não é evidente que a Ponte Seca, também secular, corre o mesmo risco? Irá suportar, a referida Ponte, o trânsito cotidiano dos ônibus lotação da cidade? Outro dia, andando lá pelas bandas do Pilar escutei dois senhores, aqui chamados de Jão e Tonin, conversando:

Tonin: – Ô Jão, assim não dá. Vê só esses ônibus passando dessa forma aqui nessa ponte. O negócio foi reformado outro dia, mas a estrutura não vai agüentar, vai cair Jão.

Jão: – Ah, mas é trânsito experimental sô, você não vê a Ponte do Antônio Dias, a Ponte da Rua São José, nelas todas passam ônibus, e elas caíram? Caíram não, sô.

Tonin: – É mesmo Jão. Você tem razão, inclusive na Ponte da Rua São José vai até começar a passar gente lá embaixo com essa história do Horto Botânico.

Jão: É sô. O trem é seguro mesmo!

Tonin: – Mas e nós que caminhamos aqui pela Conselheiro Santana? Agora vamos ter que nos espremer nos muros e passeios pros ônibus passarem?

Jão: – Calma Jão,

Tonin: Parece até que eles estão experimentando se a ponte ficou boa e se o casario do Pilar é resistente!

Jão: – Mas é em fase experimental, Tonin.

Tonin: – Experimental? Brincadeira, né não? Ouro Preto, dizem que é cidade tombada, agora também é experimental? Não posso crer.

Jão: – Mas é pra ajudar Tonin, é um momento experimental, sô...

Tonin: – Ô Jão, acabou que a gente está aqui conversando e eu não estou entendendo é nada.

Jão: – Calma Tonin.

Tonin: – Calma? Depois dessa conversa, eu tô é com vontade de levantar um muro experimental aqui em casa. E sem consultar ninguém. Só pra não ter que ficar assistindo essas lambanças. Pra não ter que ver as pessoas inventando esses trem de “gestão experimental”.

Jão: – Calma sô!

Tonin: – Mas o que você acha do muro?

Jão: – Você é doido Tonin?

Tonin: – Como assim?

Jão: – Você acha que é assim?

Tonin: – Como?

Jão: – Você não pode fazer assim não, meu filho! Você tem que pedir licença. Chamar um profissional pra fazer um projeto, aprovar o projeto da obra. Uai!

Jão: – É, Tonin?

Tonin: – É sô. O que você está pensando? A cidade é tombada, mas isso não significa que a cidade tem que tombar, a casa tem que tombar, o caminhão tem tombar, não é não?

Jão: – Será?

Ecos que podem parecer fantasiosos, mas que sobrevoam a cabeça do ouro-pretano que, atordoado, quer ver a sua cidade bem, pois a ama e em vários momentos se vê sem saber o que fazer com as mudanças legais que saem daqui, dali d’acolá. Será que não seria o momento de investirmos numa educação patrimonial que entenda Ouro Preto como uma cidade repleta de particularidades, mas viva? O patrimônio também está nas pessoas do lugar, na sabedoria de um povo que aqui vive e que quer, a todo o tempo, se sentir inserido em um processo transparente e participativo. Participativo não só no que diz respeito ao “cumpra-se”, mas ao “pensemos”, “façamos”, e “zelemos” juntos.

Voltando a um ditado antigo: “Enquanto tem platéia, tem palhaço”. Viva a grande sabedoria mineira. A mineiridade, a prudência pra fazer e a coragem de falar, mesmo que nas entrelinhas. Esta é a nossa “via”. A via do “por sentido no atento”.